Autor: drjoseeduardositenovo

  • Apneia do sono em homens e mulheres: por que a mesma doença se manifesta de formas diferentes

    Apneia do sono em homens e mulheres: por que a mesma doença se manifesta de formas diferentes

    A apneia obstrutiva do sono costuma ser lembrada como um problema de “homem que ronca alto”. Essa imagem tem um fundo de verdade, mas conta só metade da história. A apneia também acontece em mulheres, e com frequência passa despercebida justamente porque se manifesta de um jeito diferente do que se espera. Entender essas diferenças ajuda tanto quem convive com um roncador quanto quem sente cansaço e sono ruim sem saber a causa.

    Neste texto sobre apneia do sono em homens e mulheres, o objetivo é educativo: mostrar como a doença se comporta em cada sexo, por que é subdiagnosticada nas mulheres e o que muda (e o que não muda) na hora de investigar e tratar.

    Apneia do sono em homens e mulheres: homem roncando enquanto dorme e a parceira acordada observando a respiração

    O que é a apneia obstrutiva do sono

    Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Em quem tem a via aérea mais estreita ou os tecidos mais flácidos, esse relaxamento pode fechar temporariamente a passagem de ar, interrompendo a respiração por alguns segundos, várias vezes por noite. Cada pausa faz o cérebro reagir com um microdespertar para voltar a respirar. O sono se fragmenta, o corpo não descansa de verdade e o oxigênio no sangue oscila ao longo da noite.

    Essa é a apneia obstrutiva do sono. Ela atinge homens e mulheres, mas a forma de aparecer, de ser percebida e até de ser diagnosticada muda conforme o sexo.

    Ilustração comparando a via aérea aberta durante o sono e a via aérea obstruída na apneia

    Prevalência e epidemiologia: mais comum em homens, mas não rara em mulheres

    A apneia é, de fato, mais frequente em homens. Um dos estudos populacionais de referência, a coorte do sono de Wisconsin, encontrou distúrbio respiratório do sono (definido por um índice de apneias e hipopneias por hora de sono igual ou maior que 5) em cerca de 24% dos homens e 9% das mulheres de meia-idade. A proporção clássica descrita é de aproximadamente 2 a 3 homens para cada mulher na população geral.

    Só que esse número esconde uma armadilha. Nos consultórios e laboratórios do sono, por muito tempo a proporção parecia ainda maior (chegava a ser descrita como 8 ou 10 homens para cada mulher), não porque as mulheres adoeçam tão menos, e sim porque elas eram encaminhadas com muito menos frequência para investigação. Em outras palavras: parte da diferença entre os sexos não é biológica, é de diagnóstico.

    Há ainda um fator que muda tudo ao longo da vida da mulher: a menopausa. Antes dela, o risco feminino é mais baixo. Depois, a prevalência sobe de forma expressiva e se aproxima da observada nos homens. A apneia, portanto, não é uma doença “de homem”, e sim uma doença que se distribui de maneira diferente entre os sexos e ao longo do tempo.

    Causas: por que os homens tendem a ter mais

    As diferenças começam na anatomia e na fisiologia.

    • Distribuição de gordura. Os homens tendem a acumular gordura na região do pescoço e do abdome (o padrão andróide), o que aumenta a pressão sobre a via aérea e o esforço para respirar deitado.
    • Formato e comprimento da via aérea. A via aérea masculina costuma ser mais longa e mais propensa ao colapso durante o sono.
    • Proteção hormonal feminina. Antes da menopausa, os hormônios femininos (em especial a progesterona e o estrogênio) ajudam a manter o estímulo respiratório e o tônus dos músculos que sustentam a garganta. Isso funciona como uma proteção parcial. Com a queda hormonal da menopausa, essa proteção diminui e o risco aumenta.

    Nas mulheres, entram ainda outros gatilhos: o ganho de peso, a síndrome dos ovários policísticos e a própria gravidez, período em que alterações hormonais e anatômicas podem favorecer o surgimento ou a piora da apneia. Em ambos os sexos, a obstrução nasal (por desvio de septo, cornetos aumentados ou rinite) e o excesso de peso costumam participar do problema.

    Sintomas: a mesma doença, dois retratos diferentes

    Aqui está talvez a diferença mais importante da apneia do sono em homens e mulheres na prática.

    No homem, a apneia costuma se apresentar pelo retrato “clássico”, aquele que a maioria das pessoas reconhece:

    • ronco alto e persistente;
    • pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado;
    • sonolência excessiva durante o dia (cochilar em reuniões, no trânsito, ao ler).

    Na mulher, os sintomas tendem a ser menos típicos e, por isso, mais facilmente confundidos com outras condições:

    • cansaço e falta de energia (mais do que “sono” propriamente dito);
    • insônia ou sono que não descansa;
    • dor de cabeça ao acordar;
    • alterações de humor, como ansiedade e sintomas depressivos;
    • dificuldade de concentração e de memória.

    O ronco existe nas mulheres, mas costuma ser relatado como mais leve, e as pausas na respiração são menos frequentemente notadas. O resultado é que a queixa que leva ao diagnóstico muitas vezes não aparece.

    Mulher acordando cansada, com dor de cabeça, sinal de sono não reparador

    A forma de expressar os sintomas também muda

    Não é só o corpo que se comporta de modo diferente: a maneira de contar o que sente também. Muitas mulheres não relatam o ronco de forma espontânea, seja porque dormem sozinhas e ninguém observa, seja por um constrangimento social ainda associado ao ronco feminino. E, quando descrevem o mal-estar, tendem a usar palavras como “cansaço”, “estafa” ou “estresse”, em vez de “sono durante o dia”.

    Do outro lado, o homem frequentemente chega ao consultório levado pela queixa de quem divide a cama: é o ronco alto e as pausas na respiração que disparam a procura por ajuda. Essa diferença na forma de relatar faz com que a apneia masculina seja “vista” com mais facilidade e a feminina permaneça em silêncio por mais tempo.

    Impactos na vida e na saúde

    A apneia não tratada vai muito além do sono ruim. Em ambos os sexos, ela está associada a maior risco de hipertensão, arritmias, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e piora da qualidade de vida.

    Nas mulheres, alguns aspectos merecem atenção especial. Os sintomas de humor e de fadiga tendem a pesar bastante no dia a dia e na percepção de bem-estar. E, durante a gravidez, a apneia se associa a um risco maior de complicações como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, o que reforça a importância de investigar o sono também nesse período.

    Nos homens, o diagnóstico mais precoce é uma vantagem, mas a sonolência diurna traz riscos concretos, como acidentes de trânsito e de trabalho, além do impacto no desempenho e no relacionamento.

    Como cada sexo costuma lidar com a doença

    Por serem encaminhadas menos e mais tarde, muitas mulheres passam anos com sintomas atribuídos a depressão, hipotireoidismo, anemia, fibromialgia ou “coisas da menopausa” antes de a apneia ser cogitada. Esse atraso no diagnóstico é um dos pontos mais importantes a corrigir.

    Nos homens, o caminho até o diagnóstico costuma ser mais curto, principalmente quando há um parceiro ou parceira que percebe o ronco e as pausas. Uma vez diagnosticados, homens e mulheres podem ter facilidades e dificuldades diferentes na adesão ao tratamento, e por isso o acompanhamento próximo, ajustando o que for preciso, faz diferença no resultado.

    A mensagem prática é simples: cansaço crônico, sono que não descansa, dor de cabeça matinal e alterações de humor merecem investigação do sono, mesmo sem o ronco estrondoso do retrato clássico.

    Diagnóstico: o mesmo exame, um olhar atento às diferenças

    O diagnóstico não muda de exame conforme o sexo, mas exige atenção para não deixar a apneia feminina passar batida. A avaliação costuma incluir:

    • uma conversa detalhada sobre o sono, os sintomas e os hábitos;
    • o exame das vias aéreas, muitas vezes com endoscopia nasal, para verificar se há um componente nasal atrapalhando;
    • quando indicada, a polissonografia (o “exame do sono”), que confirma o diagnóstico e classifica a gravidade.

    Vale um cuidado adicional: nas mulheres, a apneia tende a se concentrar em determinadas fases do sono (como o sono REM) e em certas posições, e o índice de eventos por hora pode ser mais baixo, ainda que os sintomas sejam importantes. Por isso, o número isolado do exame precisa ser sempre interpretado junto com o quadro clínico da pessoa.

    Otorrinolaringologista avaliando as vias aéreas com endoscopia nasal em consulta

    Tratamento da apneia do sono em homens e mulheres: princípios iguais, ajuste individual

    As opções de tratamento são, no geral, as mesmas para homens e mulheres, e a escolha depende da gravidade, da anatomia e do estilo de vida de cada um:

    • CPAP: o aparelho de pressão positiva continua sendo o tratamento mais consolidado para a apneia moderada a grave, em ambos os sexos.
    • Aparelho intraoral e terapia posicional: úteis em casos selecionados, sobretudo quando a apneia é mais leve, posicional ou concentrada no sono REM, um padrão comum nas mulheres.
    • Tratar o nariz: quando a obstrução nasal é parte do problema, a septoplastia e a turbinoplastia podem melhorar a respiração e ajudar inclusive na adesão ao CPAP.
    • Laser: para o ronco e a apneia leve a moderada, o laser Fotona (protocolo NightLase) pode ser uma alternativa não cirúrgica. São realizadas de 3 a 4 sessões em consultório, com excelentes resultados em casos selecionados.
    • Cirurgia: em alguns casos, a cirurgia, como a septoplastia, a faringoplastia robótica ou a sutura barbada, pode ser uma opção de tratamento em pacientes com alterações anatômicas favoráveis.
    • Mudanças de hábitos: controle do peso, atenção ao álcool à noite e ao sono também fazem parte do tratamento, seja qual for o sexo.

    Nas mulheres, ainda vale considerar o momento de vida (menopausa e gravidez, por exemplo) na hora de definir a melhor estratégia. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: tratar a causa da obstrução, e não apenas silenciar o ronco.

    Perguntas frequentes

    A apneia do sono é só coisa de homem?

    Não. A apneia é mais frequente em homens, mas também acontece em mulheres, especialmente após a menopausa. Boa parte da diferença observada vem do fato de a doença ser menos investigada nas mulheres, e não apenas de elas adoecerem menos.

    Por que a apneia é mais difícil de diagnosticar nas mulheres?

    Porque os sintomas costumam ser menos típicos: cansaço, insônia, dor de cabeça ao acordar e alterações de humor, em vez do ronco alto com pausas. Esses sinais são facilmente confundidos com depressão, estresse ou sintomas da menopausa, o que atrasa o diagnóstico.

    Roncar pouco significa que não tenho apneia?

    Não necessariamente. O ronco pode ser leve ou pouco percebido, sobretudo em mulheres, e ainda assim haver apneia. Se existe cansaço persistente, sono que não descansa ou sonolência, vale investigar.

    A menopausa aumenta o risco de apneia?

    Sim. Com a queda dos hormônios femininos, a proteção parcial contra a apneia diminui, e a prevalência na mulher sobe, aproximando-se da observada nos homens.

    Apneia na gravidez é motivo de preocupação?

    Pode ser. A apneia na gestação se associa a maior risco de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Sintomas de sono na gravidez merecem avaliação.

    O tratamento é diferente para homens e mulheres?

    Os princípios são os mesmos (CPAP, tratar o nariz, aparelho intraoral, mudanças de hábitos, laser ou cirurgia em casos selecionados). O que muda é o ajuste individual, considerando anatomia, gravidade, padrão do sono e o momento de vida de cada pessoa.

    Vale conversar sobre o seu caso

    Se você (ou alguém próximo) tem cansaço que não passa, sono que não descansa, ronco ou pausas na respiração, o primeiro passo é uma avaliação que entenda a origem do problema. A apneia do sono tem tratamento, e reconhecer que a apneia do sono em homens e mulheres se manifesta de formas diferentes é parte de chegar ao diagnóstico certo.

    O Dr. José Eduardo Marcondes é MÉDICO otorrinolaringologista (CRM SP 107711 | RQE 43840), com atuação em cirurgia nasal e no tratamento do ronco e da apneia do sono, atendendo no Morumbi e no Itaim (São Paulo) e em Alphaville (Barueri). Se fizer sentido para você, agende uma avaliação para conversarmos sobre o seu caso.

    Referências

    1. Young T, Palta M, Dempsey J, Skatrud J, Weber S, Badr S. The occurrence of sleep-disordered breathing among middle-aged adults. New England Journal of Medicine. 1993;328(17):1230-1235. doi:10.1056/NEJM199304293281704.
    2. Bonsignore MR, Saaresranta T, Riha RL. Sex differences in obstructive sleep apnoea. European Respiratory Review. 2019;28(154):190030. doi:10.1183/16000617.0030-2019.
    3. Lin CM, Davidson TM, Ancoli-Israel S. Gender differences in obstructive sleep apnea and treatment implications. Sleep Medicine Reviews. 2008;12(6):481-496. doi:10.1016/j.smrv.2007.11.003.

    Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

  • Adenoide e amígdalas aumentadas na criança: quando é hora de operar

    Adenoide e amígdalas aumentadas na criança: quando é hora de operar

    Poucas decisões deixam os pais tão inseguros quanto a possibilidade de o filho passar por uma cirurgia. Se você chegou até aqui depois de noites ouvindo seu filho roncar, de ver a criança dormir de boca aberta ou de mais um episódio de dor de garganta, é natural sentir aquela mistura de preocupação e dúvida: “será que precisa operar mesmo?”.

    A boa notícia é que essa decisão não precisa ser tomada no escuro. Existem critérios bem estabelecidos, baseados em diretrizes médicas, que ajudam a separar os casos em que vale a pena acompanhar e aguardar dos casos em que a cirurgia tende a trazer benefício real. Este texto explica, em linguagem simples, o que são a adenoide e as amígdalas, por que aumentam, quais sinais merecem atenção e como o otorrinolaringologista chega à conclusão sobre operar ou não.

    A ideia aqui é dar a você informação de qualidade para conversar com mais tranquilidade na consulta e entender melhor o que está acontecendo com seu filho.

    Criança dormindo de boca aberta durante o sono, possível sinal de adenoide ou amígdalas aumentadas

    O que são a adenoide e as amígdalas?

    Adenoide e amígdalas são tecidos de defesa, formados por células do sistema imunológico. Funcionam como uma espécie de “posto de vigilância” na entrada das vias respiratórias, ajudando o corpo a reconhecer vírus e bactérias, sobretudo nos primeiros anos de vida.

    • Amígdalas (ou tonsilas palatinas): ficam nas laterais da garganta. São aquelas duas “bolinhas” que dá para ver quando a criança abre bem a boca.
    • Adenoide (ou tonsila faríngea): fica mais escondida, no fundo do nariz, atrás do céu da boca. Não dá para enxergar a olho nu em uma consulta comum, e por isso muitos pais nunca a viram. É como se fosse uma terceira amígdala no fundo do nariz.
    Ilustração da localização da adenoide no fundo do nariz e das amígdalas na garganta da criança

    Apesar de fazerem parte do sistema de defesa, o corpo tem muitos outros mecanismos imunológicos. Por isso, quando a cirurgia é necessária, a retirada desses tecidos não deixa a criança “sem defesas”, como se costuma temer.

    Por que a adenoide e as amígdalas aumentam de tamanho?

    É comum que esses tecidos cresçam naturalmente nos primeiros anos de vida, justamente na fase em que a criança tem mais contato com vírus e bactérias (creche, escola, irmãos mais velhos). Esse aumento muitas vezes é temporário e tende a regredir com o crescimento.

    O problema aparece quando o aumento é grande o suficiente para atrapalhar a respiração e o sono, ou quando as amígdalas se infectam repetidamente. Algumas crianças têm uma tendência individual a ter esses tecidos maiores; alergias respiratórias e infecções de repetição também podem contribuir.

    Vale separar dois cenários que costumam se misturar na cabeça dos pais:

    1. Tamanho aumentado que obstrui (adenoide e/ou amígdalas grandes que dificultam respirar e dormir).
    2. Infecções de repetição (amigdalites frequentes), que é um problema diferente, mesmo que às vezes apareça na mesma criança.

    Os critérios para considerar a cirurgia são diferentes em cada um desses cenários, como você verá adiante.

    Quais sinais nos filhos merecem atenção dos pais?

    Os sinais variam conforme o que está aumentado e o quanto. Reunimos abaixo os mais comuns. Ver um ou outro item isolado não significa que haja indicação de cirurgia, mas a presença de vários sinais, de forma persistente, é um bom motivo para buscar avaliação.

    Sinais ligados à obstrução e ao sono (adenoide e amígdalas grandes)

    • Ronco frequente, várias noites por semana.
    • Respiração pela boca, dormindo e às vezes acordada; criança que dorme de boca aberta ou permanece de boca aberta durante o dia.
    • Sono agitado, com muita mudança de posição, despertares e a sensação de que “não descansa”.
    • Pausas na respiração durante o sono, às vezes seguidas de um suspiro ou engasgo (sinal que mais preocupa os pais, e com razão).
    • Voz anasalada (como se estivesse sempre “fungando”) e dificuldade para respirar pelo nariz.
    • Sonolência ou irritabilidade durante o dia, dificuldade de concentração e impacto no rendimento escolar.
    • Xixi na cama que persiste ou volta a acontecer, que em algumas crianças se relaciona com o distúrbio do sono.
    • Em casos mais prolongados, alterações no crescimento ou no formato do rosto e da arcada dentária, ligadas à respiração bucal contínua, alterações dentárias ou da mordida.

    Esse conjunto de sinais pode indicar o que chamamos de respiração perturbada durante o sono, que vai do ronco simples até a apneia obstrutiva do sono na criança, quando há pausas e queda na qualidade do sono e da oxigenação. É um tema que merece atenção porque o sono é fundamental para o desenvolvimento infantil. (Você pode se aprofundar nisso no nosso artigo sobre apneia do sono em crianças.)

    Pais em consulta com otorrinolaringologista para avaliação de adenoide e amígdalas da criança

    Sinais ligados às infecções de repetição (amígdalas)

    • Amigdalites de repetição: episódios frequentes de dor de garganta com febre, placas (pontos brancos) nas amígdalas e ínguas no pescoço.
    • Faltas recorrentes à escola e uso repetido de antibióticos ao longo do ano.

    Se a queixa principal são as dores de garganta repetidas, vale entender melhor o quadro na nossa página sobre amigdalite e dor de garganta.

    Sinais ligados ao ouvido

    • Otites de repetição ou líquido atrás do tímpano, que podem se relacionar com a adenoide aumentada.
    • Sensação de audição abafada ou pedir para aumentar o volume da TV, o que, em crianças, às vezes passa despercebido.

    Quando é caso de só acompanhar e quando é preciso investigar?

    Nem todo ronco e nem toda amígdala grande significam cirurgia. Em muitos casos, a conduta mais sensata é acompanhar, porque esses tecidos podem regredir com o crescimento.

    De forma geral, costuma fazer sentido observar e reavaliar quando:

    • o ronco é ocasional, ligado a resfriados ou crises de alergia, e melhora fora desses períodos;
    • não há pausas na respiração nem sinais de sono de má qualidade;
    • as infecções de garganta são pouco frequentes;
    • a criança cresce, dorme e rende bem no dia a dia.

    Por outro lado, costuma valer a pena investigar com um otorrinolaringologista quando há:

    • ronco frequente acompanhado de respiração bucal e sono agitado;
    • relato de pausas na respiração durante o sono;
    • impacto no comportamento, na atenção ou no rendimento escolar;
    • infecções de garganta repetidas ao longo do ano;
    • otites de repetição ou suspeita de perda auditiva.

    A decisão entre acompanhar e operar é individual e leva em conta a intensidade dos sintomas, a idade da criança, o impacto na vida dela e o exame físico e não apenas o tamanho dos tecidos isoladamente.

    Como o otorrinolaringologista avalia a criança?

    A avaliação começa por uma conversa detalhada (história clínica) e pelo exame físico. Muitas vezes, esse conjunto já orienta bem a conduta. Dependendo do caso, o médico pode lançar mão de:

    • Exame da garganta e do nariz, para estimar o tamanho das amígdalas e avaliar a respiração.
    • Nasofibroscopia (exame com uma câmera fina e flexível) ou, em alguns casos, radiografia de cavum, para avaliar a adenoide, que normalmente não é visível a olho nu. A escolha do exame depende da idade e da colaboração da criança.
    • Polissonografia (exame do sono): é o exame de referência para confirmar e medir a gravidade da apneia obstrutiva do sono. Segundo as diretrizes, costuma ser indicado quando há dúvida sobre a real necessidade de operar ou em crianças com condições que aumentam o risco (por exemplo, idade muito baixa, obesidade, síndrome de Down, alterações craniofaciais ou neuromusculares). Nem toda criança precisa desse exame antes da cirurgia.
    • Avaliação da audição, quando há suspeita de otites ou de perda auditiva.

    O objetivo dessa etapa é entender o quadro como um todo, e não apenas “o quanto está grande”, para que a indicação, se houver, seja realmente fundamentada.

    Quando a cirurgia costuma ser indicada na criança?

    A cirurgia mais comum nesse contexto é a adenoamigdalectomia (retirada da adenoide e das amígdalas). Em alguns casos, retira-se apenas a adenoide (adenoidectomia) ou apenas as amígdalas (amigdalectomia), conforme a avaliação.

    As diretrizes médicas reconhecidas (como as da Academia Americana de Otorrinolaringologia – AAO-HNS) organizam as indicações em torno de dois grandes motivos. Vale reforçar que esses critérios orientam a consulta, mas a indicação cirúrgica é sempre uma decisão individual, tomada caso a caso entre a família e o médico e não uma recomendação automática para toda criança com adenoide ou amígdalas aumentadas.

    Infográfico comparando quando acompanhar e quando operar adenoide e amígdalas na criança

    1. Obstrução respiratória e apneia do sono

    Quando o aumento da adenoide e/ou das amígdalas causa apneia obstrutiva do sono ou uma respiração perturbada durante o sono com impacto na criança, a cirurgia é considerada o tratamento de primeira linha, de acordo com as principais diretrizes. Nesses casos, a melhora do sono e da respiração costuma ser o principal objetivo.

    2. Infecções de garganta de repetição

    Para as amigdalites de repetição, as diretrizes adotam critérios bem objetivos (conhecidos como critérios de Paradise) para ajudar a decidir. De modo geral, a cirurgia tende a ser considerada quando o número de episódios de dor de garganta bem documentados é:

    • 7 ou mais episódios em 1 ano; ou
    • 5 ou mais episódios por ano, nos últimos 2 anos; ou
    • 3 ou mais episódios por ano, nos últimos 3 anos.

    Para esse fim, cada episódio precisa ter sido um episódio de dor de garganta acompanhado de pelo menos um dos seguintes achados: febre acima de 38,3 °C, ínguas no pescoço (linfonodos dolorosos), placas (exsudato) nas amígdalas ou exame positivo para a bactéria estreptococo (Streptococcus do grupo A).

    Abaixo desses números, as diretrizes recomendam acompanhar e aguardar, em vez de operar, dado que nesses casos a cirurgia pode não trazer tanto benefício. Isso não é uma regra rígida e automática: situações particulares (como amigdalites graves, abscessos de repetição ou outros fatores) podem mudar a avaliação, sempre de forma individual.

    Em resumo: número de episódios não é tudo, mas é um ponto de partida importante. Por isso vale a pena anotar as datas e os sintomas das amigdalites do seu filho ao longo do tempo, esse histórico ajuda muito o médico a decidir.

    Como costuma ser a recuperação da cirurgia?

    A adenoamigdalectomia costuma ser uma cirurgia de curta duração, em geral com alta no mesmo dia ou após uma noite de observação, dependendo da idade da criança, do caso e da avaliação da equipe.

    Pontos gerais que costumam fazer parte do pós-operatório (sempre conforme a orientação individual do médico):

    • Dor de garganta nos primeiros dias, que é esperada e controlada com medicação.
    • Alimentação preferencialmente fria, macia e leve no início, voltando aos poucos ao normal.
    • Repouso relativo e afastamento temporário da escola e de atividades físicas mais intensas por alguns dias.
    • Atenção a sinais de alarme orientados pela equipe, como sangramento, situação em que se deve buscar atendimento.

    Hoje em dia existe a possibilidade de usar algumas tecnologias que melhoram a qualidade e a segurança do pós-operatório, como por exemplo a radiofrequência. Para saber mais sobre esse avanço na cirurgia, acesse a minha página sobre a amigdalectomia com coblation.

    Como toda cirurgia, a adenoamigdalectomia tem benefícios e também riscos, que devem ser explicados e ponderados caso a caso. Não existe procedimento sem riscos, e a decisão deve sempre comparar o que se ganha com o que se evita. O acompanhamento depois da cirurgia é parte importante do processo.

    Perguntas frequentes dos pais (FAQ)

    É normal criança roncar?

    Roncar de vez em quando, durante um resfriado, pode acontecer. O que merece atenção é o ronco frequente, especialmente quando vem acompanhado de respiração pela boca, sono agitado ou pausas na respiração. Nesses casos, vale procurar avaliação.

    Adenoide e amígdala aumentadas sempre precisam de cirurgia?

    Não. Muitos casos são acompanhados ao longo do tempo, porque esses tecidos podem regredir com o crescimento. A cirurgia é considerada quando há obstrução significativa do sono/respiração ou infecções de repetição dentro de certos critérios.

    Retirar a adenoide e as amígdalas enfraquece a imunidade da criança?

    O sistema de defesa do corpo é amplo e conta com vários outros órgãos e mecanismos. Quando a cirurgia é bem indicada, a retirada desses tecidos não costuma comprometer a imunidade da criança de forma relevante.

    Qual a diferença entre adenoidectomia, amigdalectomia e adenoamigdalectomia?

    Adenoidectomia é a retirada apenas da adenoide; amigdalectomia, apenas das amígdalas; e adenoamigdalectomia, das duas. O que será retirado depende da avaliação de cada criança.

    O ronco e a respiração pela boca melhoram depois da cirurgia?

    Quando o problema é causado principalmente pelo aumento desses tecidos, a tendência é de melhora importante da respiração e do sono. Em parte das crianças, sobretudo quando há outros fatores (como obesidade), pode haver necessidade de acompanhamento e de medidas adicionais. A avaliação individual é o que define a expectativa realista.

    Existe uma idade certa para operar?

    Não há uma idade única. A decisão considera os sintomas, o impacto na criança e a avaliação do otorrinolaringologista. Em crianças muito pequenas, costuma-se ter cuidado adicional na investigação.

    Dá para tratar sem cirurgia?

    Em alguns quadros, especialmente os mais leves ou ligados a alergia, o acompanhamento e o tratamento clínico das causas associadas (como a rinite) podem ser suficientes. A conduta depende do caso.

    Quando procurar avaliação?

    Se o seu filho ronca com frequência, dorme de boca aberta, tem sono agitado, apresenta pausas na respiração ou tem amigdalites de repetição, vale a pena conversar com um otorrinolaringologista. Uma avaliação cuidadosa ajuda a definir, com critério, se o melhor caminho é acompanhar ou operar, e a tirar de cima dos pais o peso de decidir sozinhos.

    Para entender melhor o quadro de adenoide aumentada na infância, você pode ler também a nossa página sobre hipertrofia de adenoides em crianças e, se a cirurgia estiver em discussão, a página sobre a adenoamigdalectomia. Há ainda um conteúdo dedicado à cirurgia de adenoide e amígdalas em crianças.

    O Dr. José Eduardo Merighe Marcondes — MÉDICO (CRM SP 107711, RQE 43840), otorrinolaringologista, atende crianças e adultos no Morumbi e no Itaim (São Paulo-SP) e em Alphaville (Barueri-SP), com atuação em ronco e apneia do sono, inclusive na infância. Agende uma avaliação.

    Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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  • Corrida e Obstrução nasal: como voltar a respirar bem e render mais

    Corrida e Obstrução nasal: como voltar a respirar bem e render mais

    Respirar bem pelo nariz é essencial para quem corre. O fluxo nasal adequado aquece, filtra e umidifica o ar, melhora a sensação de conforto e contribui para uma troca gasosa mais eficiente, o que se traduz em melhor rendimento e menor fadiga ao longo do treino e das provas.

    Corredor respirando durante treino de corrida ao ar livre

    Rinite alérgica e exercício

    A rinite alérgica é uma das principais causas de obstrução nasal em corredores. A exposição a pólen, poeira, ácaros e pelos de animais inflama a mucosa nasal, levando a congestão, espirros e coceira justamente quando o corpo precisa de maior fluxo de ar. Durante a corrida, esse inchaço interno reduz o calibre das cavidades nasais e favorece a respiração bucal, que é menos eficiente e mais desconfortável, especialmente em dias frios ou secos.

    Obstrução nasal e o impacto na performance da corrida

    Quando o nariz não ventila bem, aumenta a necessidade de inspirar pela boca, o que tende a elevar a percepção de esforço e a frequência respiratória. Isso pode resultar em sensação precoce de cansaço, queda no ritmo, piora da qualidade do sono por congestão noturna e menor recuperação entre treinos. Em provas longas, a respiração bucal exclusiva também favorece boca seca, dor de garganta e maior desconforto térmico, fatores que minam a consistência do desempenho.

    Benefícios do tratamento clínico

    O manejo clínico bem conduzido reduz inflamação e edema da mucosa, devolvendo a passagem de ar pelo nariz. Soluções salinas, corticoides intranasais e anti-histamínicos, associados a estratégia de controle ambiental e ajuste de horários de treino conforme os gatilhos alérgicos, costumam melhorar muito o conforto respiratório. Em casos selecionados, a imunoterapia alérgeno‑específica pode reduzir a reatividade nasal ao longo do tempo, trazendo estabilidade dos sintomas e maior previsibilidade de performance.

    Tratamento clínico da obstrução nasal para melhorar a respiração na corrida

    Dilatadores nasais durante a corrida

    Os dilatadores nasais podem ser aliados úteis para corredores que sentem piora do fluxo aéreo em esforços mais intensos. Há duas categorias principais: as tiras adesivas externas, que tracionam suavemente as asas do nariz para fora, e os dispositivos internos, geralmente de silicone, que mantêm a válvula nasal aberta. Em ambos os casos, o objetivo é reduzir o colapso da parede lateral e facilitar a entrada de ar, especialmente em sprints, subidas e dias secos ou frios.

    Na prática, eles oferecem efeito imediato, são acessíveis e podem diminuir a sensação de sufoco, a necessidade de respirar pela boca e o desconforto de boca seca. Funcionam melhor quando a rinite está controlada e existe um componente leve de fraqueza valvar, servindo como estratégia complementar em treinos, provas e períodos de maior exposição a gatilhos alérgicos. É importante testar modelos e tamanhos, observar a tolerância cutânea às tiras e o conforto dos dispositivos internos, sempre mantendo a higiene nasal e o tratamento clínico indicado pelo especialista.

    Como toda solução externa, seu efeito é temporário e a resposta é individual. Eles não corrigem causas estruturais de obstrução, como desvio de septo, hipertrofia de cornetos ou colapso significativo da válvula nasal. Se a dependência do dilatador para correr se torna constante, uma avaliação otorrinolaringológica detalhada é recomendada para definir um plano definitivo. Inclusive, a boa resposta aos dilatadores pode ser um indicativo de que o reforço valvar cirúrgico trará benefício sustentado; em casos de colapso durante inspirações vigorosas, o enxerto alar batten estabiliza a válvula nasal, oferecendo melhora duradoura do conforto respiratório sem comprometer a estética.

    Dilatador nasal como auxílio para respirar melhor durante a corrida

    Quando a cirurgia entra em cena

    Nem toda obstrução é apenas inflamatória. Desvio de septo, hipertrofia de cornetos e fraqueza estrutural da válvula nasal podem manter a congestão mesmo com tratamento clínico otimizado. A correção cirúrgica, quando indicada, tem como objetivo restaurar a anatomia e a função, permitindo que a via nasal suporte o aumento do fluxo aéreo do esforço sem colapsar. Procedimentos como septoplastia, redução de cornetos e reforço da válvula nasal são individualizados, com foco em resultado funcional duradouro e retorno seguro às atividades.

    Alar batten no esforço intenso

    Em muitos corredores, o fechamento da válvula nasal externa durante inspirações vigorosas é o ponto crítico da obstrução. O enxerto alar batten atua como um reforço discreto da parede lateral do nariz, evitando o colapso durante o pico de fluxo aéreo. Na prática, isso significa entrada de ar mais livre nas acelerações e subidas, menor sensação de sufoco, redução da dependência da respiração bucal e maior conforto em ritmos altos. Além do benefício funcional, o reforço bem planejado preserva a estética nasal, aspecto fundamental para quem busca solução completa e definitiva.

    Reforço da válvula nasal com enxerto alar batten para o esforço intenso

    Próximo passo

    Se a obstrução nasal está limitando seus treinos e atrapalhando seu desempenho na corrida, uma avaliação minuciosa com endoscopia nasal e teste funcional direciona o plano ideal para você, do controle clínico avançado à correção estrutural quando necessária. O consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, otorrinolaringologista com mais de duas décadas de experiência, oferece cuidado personalizado em endereços de excelência em São Paulo e Alphaville. Agende sua consulta e volte a correr respirando pelo nariz, com conforto, segurança e alta performance.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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  • Amigdalectomia com Radiofrequência : O que é e quais são as vantagens?

    Amigdalectomia com Radiofrequência : O que é e quais são as vantagens?

    Coblation é uma tecnologia que utiliza radiofrequência em meio salino para gerar um campo de plasma capaz de dissolver o tecido de forma precisa e com baixa transferência de calor, preservando estruturas vizinhas. Na cirurgia das amígdalas, isso permite menor trauma, controle rigoroso de sangramento e recuperação mais confortável, com especial destaque para a amigdalectomia intracapsular realizada com radiofrequência por coblation.

    O que é coblation?

    Coblation significa ablação controlada do tecido por um campo de plasma criado na ponta do instrumento em solução salina. Diferente do bisturi elétrico convencional, a energia atua em temperaturas mais baixas, desagregando ligações moleculares do tecido em vez de queimar, reduzindo dano térmico colateral e preservando planos anatômicos.

    Equipamento de radiofrequência coblation utilizado na cirurgia das amígdalas

    Como a radiofrequência funciona?

    A radiofrequência é uma corrente alternada que, ao interagir com soro fisiológico, forma um plasma estável que fragmenta o tecido alvo com excelente hemostasia. O controle de potência e a irrigação contínua mantêm o campo limpo e mais frio, favorecendo uma dissecção delicada e visão nítida durante todo o procedimento.

    Vantagens na cirurgia das amígdalas

    • Menor dor pós-operatória graças à baixa difusão térmica e à preservação de mucosa e músculos adjacentes.
    • Menos sangramento intra e pós-operatório pela coagulação eficiente das microvasculaturas durante a ablação.
    • Recuperação mais rápida, com retorno às atividades de forma segura e previsível.
    • Precisão superior em áreas delicadas, reduzindo edema, exsudato e crostas espessas nas fossas amigdalinas.
    • Menor necessidade de cauterizações adicionais, diminuindo irritação de mucosa e odor pós-operatório.

    Intracapsular vs extracapsular

    • Amigdalectomia intracapsular: remove o parênquima amigdalino e preserva uma fina camada de cápsula, o que tende a reduzir dor, sangramento e espasmo muscular, mantendo a mucosa mais íntegra e favorecendo a cicatrização. É especialmente útil em hipertrofia com distúrbios respiratórios do sono e em pacientes que priorizam um pós-operatório mais confortável.
    • Amigdalectomia extracapsular: remove toda a amígdala com sua cápsula, indicada quando há amigdalites de repetição refratárias, cáseos persistentes com halitose, abscessos prévios ou alterações crônicas estruturais. Pode oferecer menor chance de recidiva infecciosa quando o foco é eminentemente infeccioso e persistente.

    Amigdalectomia intracapsular com radiofrequência

    Na técnica intracapsular, a radiofrequência por coblation permite reduzir o volume tonsilar de forma controlada, preservando a cápsula como uma “camada de proteção” que diminui a exposição de terminações nervosas e, consequentemente, a dor. O refinado controle térmico minimiza lesão dos músculos constritores e mantém a função de deglutição mais preservada, favorecendo hidratação e alimentação precoces. Em mãos experientes, combina resultados funcionais consistentes para via aérea e sono com um perfil de recuperação mais confortável e previsível.

    Ilustração da amigdalectomia intracapsular com radiofrequência preservando a cápsula

    Para quem é indicada

    A amigdalectomia intracapsular com radiofrequência é especialmente indicada para crianças e adultos com hipertrofia tonsilar associada a ronco e apneia do sono, dificuldade respiratória, deglutição comprometida ou impacto na qualidade de vida. Também é adequada para quem busca redução de volume com menor dor e menor risco de sangramento, inclusive em pacientes que precisam retomar atividades profissionais e esportivas com mais rapidez.

    Pontos a considerar

    Embora rara, pode haver persistência mínima de tecido tonsilar profundo com possibilidade de crescimento futuro em situações específicas. Quando há histórico de infecções de repetição importantes, cáseos intensos ou abscessos prévios, pode-se avaliar se a abordagem extracapsular é mais apropriada para eliminar completamente o foco.

    Como é o pós-operatório

    Com anestesia geral e alta, em geral, no mesmo dia, o plano analgésico estruturado prioriza conforto e segurança. A preservação da cápsula reduz a intensidade da dor, facilita hidratação, alimentação macia precoce e diminui o risco de sangramento tardio, favorecendo uma cicatrização mais tranquila. O retorno às rotinas é personalizado, considerando profissão, esporte e demandas do paciente.

    Por que escolher o Dr. José Eduardo Marcondes

    Com mais de duas décadas de experiência, foco em resultados funcionais da via aérea superior e domínio de tecnologias de energia, o Dr. José Eduardo Marcondes oferece abordagem precisa, segura e personalizada. O atendimento em endereços de referência em São Paulo ( no Itaim e Morumbi) e em Alphaville reúne conforto, tecnologia atual e equipe preparada para acompanhar cada etapa do cuidado.

    Agende sua avaliação

    Se ronco, apneia do sono, dificuldades de deglutição ou hipertrofia tonsilar comprometem seu bem-estar, a avaliação especializada define a melhor estratégia cirúrgica para o seu caso. Agende sua consulta para discutir, com tranquilidade, se a amigdalectomia intracapsular com radiofrequência é a opção mais adequada para seus objetivos e estilo de vida.

    Avaliação otorrinolaringológica para amigdalectomia com radiofrequência

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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  • Minha orelha dói quando voo de avião. Por que isso acontece?

    Minha orelha dói quando voo de avião. Por que isso acontece?

    A tuba auditiva é o canal que liga o ouvido médio ao nariz e à garganta e funciona como uma válvula que se abre em momentos como engolir, bocejar ou mastigar para equalizar a pressão do ouvido com a do ambiente. Quando essa equalização falha, especialmente em mudanças rápidas de altitude, surge dor, sensação de ouvido tampado e estalos, fenômeno muito comum em voos e ao descer a serra.

    Ilustração de dor de ouvido durante voo de avião

    A tuba auditiva e seu papel

    A cada vez que engolimos ou bocejamos, a tuba auditiva permite a entrada e saída de ar no ouvido médio, mantendo o tímpano em posição confortável e preservando a audição. Se a mucosa do nariz e da nasofaringe está inflamada por rinite, sinusite ou resfriado, essa passagem de ar pode ficar prejudicada e a tuba tende a “travar”, gerando pressão negativa ou positiva no ouvido.

    Por que dói no avião e na serra

    Na cabine do avião ou em estradas de serra, a pressão atmosférica muda rapidamente. Se a tuba não abre no ritmo certo, cria-se um desbalanço de pressão que puxa ou empurra o tímpano, causando dor, plenitude e redução temporária da audição. A descida costuma ser o momento mais crítico no avião, pois a pressão externa aumenta e o ouvido precisa de uma abertura eficiente da tuba para compensar.

    Variação de pressão no ouvido durante voo e descida de serra

    O que é otite média serosa

    Otite média serosa é o acúmulo de líquido atrás do tímpano sem sinais de infecção aguda, geralmente decorrente de disfunção da tuba auditiva após resfriados, alergias ou episódios de barotrauma por variação de pressão. Esse líquido reduz a mobilidade do tímpano e da cadeia ossicular, levando a audição abafada, sensação de ouvido cheio e estalos ao engolir.

    Otite média serosa: líquido acumulado atrás do tímpano

    Sintomas que merecem atenção

    Sensação de ouvido tampado, pressão ou plenitude, com estalos ao bocejar ou engolir.

    Audição reduzida ou flutuante, zumbido e, às vezes, leve desequilíbrio, principalmente após voos, descidas de serra ou infecções de vias aéreas superiores.

    Dor que piora em mudanças de altitude ou ao tentar equalizar a pressão.

    Como é feito o diagnóstico

    A avaliação otorrinolaringológica observa a posição e a mobilidade do tímpano e a presença de sinais de líquido no ouvido médio. Exames como timpanometria e audiometria ajudam a confirmar o acúmulo seroso e a quantificar a perda auditiva condutiva, orientando a melhor conduta. Em adultos, quadros unilaterais persistentes pedem investigação cuidadosa da nasofaringe e de fatores que obstruem a tuba.

    Tratamento e prevenção

    Muitos casos de otite média serosa se resolvem de forma espontânea com a recuperação da função da tuba, por isso a observação ativa, o controle de rinite e medidas de autoinsuflação são estratégias iniciais frequentes.

    Durante voos ou descidas de serra, engolir repetidamente, mascar chiclete, bocejar e realizar manobras suaves de equalização ajudam a abrir a tuba. É importante fazê-las sem força excessiva.

    Evitar viajar com nariz muito obstruído e, quando indicado pelo especialista, usar sprays nasais ou descongestionantes por curto período pode reduzir o risco de barotrauma. Tampões com filtro próprios para voo podem ser úteis em pessoas sensíveis a variações de pressão.

    Quando o líquido persiste e compromete a qualidade de vida, opções como tubos de ventilação no tímpano podem restaurar a aeração do ouvido médio. Em casos selecionados, especialmente com disfunção tubária crônica, a dilatação da tuba auditiva pode ser considerada após avaliação individualizada. Em crianças, isso se relaciona ao tema de quando é preciso colocar o tubinho.

    Quando procurar um otorrino

    Procure atendimento se houver dor intensa, secreção pelo ouvido, tontura importante, febre, ou se a sensação de ouvido tampado e a perda auditiva persistirem além do esperado após um voo ou resfriado. Crianças, gestantes, pessoas que voam com frequência ou com histórico de problemas de ouvido se beneficiam de orientação preventiva personalizada antes de viagens. Recaídas ou sintomas prolongados merecem avaliação detalhada para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado.

    Cuidado especializado em São Paulo ( Itaim e Morumbi) e Alphaville

    Para quem enfrenta dor no avião, desconforto ao descer a serra ou sensação recorrente de ouvido tampado, uma avaliação criteriosa permite identificar a causa e escolher a melhor abordagem, do manejo clínico à intervenção quando necessário. Com experiência de longa data em otorrinolaringologia e atendimento em endereços de referência no Itaim, Morumbi e Alphaville, o consultório do Dr. Jose Eduardo Marcondes oferece diagnóstico preciso e um plano personalizado para devolver conforto e segurança às suas viagens e ao seu dia a dia. Agende sua consulta e tenha uma orientação completa, focada no seu caso.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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  • Desvio de Septo

    Desvio de Septo

    Você se acostumou a respirar mal!

    O desvio de septo nasal é uma condição comum que afeta a parede interna do nariz, responsável por dividir as cavidades nasais.
    Essa estrutura, conhecida como septo, quando desalinhada, pode comprometer a passagem do ar, levando a uma série de desconfortos que impactam o dia a dia de forma sutil, mas persistente.
    Muitos pacientes chegam ao consultório sem perceber a gravidade do problema, pois o corpo se adapta ao longo do tempo, normalizando uma respiração inadequada que poderia ser muito melhor. O desvio costuma vir acompanhado do aumento dos cornetos.

    Desvio de Septo
    Desvio de Septo

    Sintomas da Obstrução Nasal

    Os sintomas da obstrução nasal causados pelo desvio de septo são variados e frequentemente subestimados. A principal manifestação é a dificuldade para respirar pelas narinas, especialmente de um lado, o que pode se agravar durante resfriados ou em ambientes secos, resultando em uma sensação constante de nariz entupido.

    Outros sinais incluem roncos noturnos, preferência por dormir de um lado específico para facilitar a respiração e até uma maior percepção do ciclo nasal natural, onde uma narina parece mais obstruída que a outra em momentos alternados. Esses desconfortos podem evoluir para dores faciais leves ou pressão nos seios paranasais, afetando a qualidade do sono e a disposição diária.

    Um corpo acomodado ao respirar pela boca!

    Um aspecto importante é que muitas pessoas se acostumam a respirar mal ao longo dos anos e nem percebem o quanto isso limita sua vitalidade. O que começa como uma leve congestão pode se tornar rotina, levando a uma dependência da respiração bucal que resseca a boca, favorece cáries e até altera a estrutura facial em casos prolongados. Essa adaptação mascara o problema, mas ao longo do tempo, revela-se prejudicial, especialmente para quem busca um estilo de vida ativo e saudável.

    Homem com dificuldade de respirar
    Homem com dificuldade de respirar

    Riscos do desvio de septo

    Entre os riscos associados, destacam-se as infecções recorrentes, como sinusites crônicas, decorrentes da drenagem inadequada dos seios paranasais. O desvio impede o fluxo normal de muco e ar, criando um ambiente propício para bactérias e inflamações que causam dores de cabeça intensas, fadiga e febres repetidas. Sem correção, essas infecções podem se tornar crônicas, impactando não apenas a saúde nasal, mas também a imunidade geral e o bem-estar emocional.

    O tratamento é menos complicado do que você imagina

    A boa notícia é que a cirurgia de correção, chamada septoplastia, oferece uma solução eficaz e para o problema. Realizada por especialistas em otorrinolaringologia, o procedimento reposiciona o septo para restaurar o equilíbrio nasal, melhorando imediatamente a respiração e reduzindo os riscos de complicações.

    No consultório do Dr. José Eduardo Marcondes, adotamos técnicas modernas que eliminam o uso de tampão nasal pós-operatório, evitando desconfortos como sangramentos, infecções e a sensação de obstrução total que acompanhava procedimentos antigos. Com suturas precisas e quilting septal ( suturas transfixantes) , os pacientes experimentam uma recuperação mais rápida e confortável, muitas vezes retornando às atividades em poucos dias.

    Fique atento

    Se você reconhece esses sintomas em sua rotina ou deseja uma avaliação personalizada, agende uma consulta no Dr. José Eduardo Marcondes. Com mais de 20 anos de experiência atendendo um público exigente nos melhores endereços de São Paulo e Alphaville, o doutor oferece um atendimento diferenciado, focado em resultados naturais e duradouros que elevam sua qualidade de vida. Entre em contato pelo WhatsApp para mais informações e marque sua avaliação hoje.

    Correção do desvio de septo com septoplastia

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

    Conheça a trajetória completa → · Agendar consulta no WhatsApp

  • Perda de audição em crianças: o que pais e famílias precisam saber

    Perda de audição em crianças: o que pais e famílias precisam saber

    A audição é a base da linguagem, da socialização e do aprendizado, e pequenas mudanças no ouvir podem gerar grandes impactos no desenvolvimento infantil. Identificar cedo, acolher com informação de qualidade e agir com rapidez transforma trajetórias de fala, escola e convivência em família.

    Por que a audição importa desde o berço

    Desde o nascimento, o cérebro aprende a linguagem a partir dos sons do ambiente e da voz de quem cuida. Quando a audição não está plena, a criança tende a falar mais tarde, cansar em ambientes ruidosos e depender da leitura labial para acompanhar conversas, o que pode ser confundido com desatenção ou timidez.

    Causas mais frequentes de perda de audição em crianças

    Otite média com efusão: líquido atrás do tímpano que reduz a passagem do som, comum na primeira infância e muitas vezes silencioso.

    – Perda sensorioneural congênita: pode ser genética, isolada ou parte de síndromes, com comportamento estável ou progressivo ao longo do tempo.

    – Infecções: citomegalovírus na gestação e meningite na infância estão entre as causas infecciosas mais relevantes.

    – Fatores perinatais: prematuridade, internação neonatal, icterícia importante e hipóxia aumentam o risco e pedem vigilância.

    – Ototoxicidade e ruído: alguns medicamentos e o uso prolongado de fones em volume alto podem lesar a cóclea, especialmente em escolares e adolescentes.

    – Outras condições: tampão de cerúmen, alterações anatômicas do ouvido e doenças autoimunes também entram no radar.

    Sinais que merecem atenção

    – No início da vida: pouco susto com barulhos intensos, balbucio escasso, dificuldade para localizar sons e menor resposta ao próprio nome.

    – Na primeira infância: atraso de fala, trocas fonéticas persistentes, necessidade de ver a boca de quem fala e aparente desatenção.

    – Em idade escolar: volume da televisão sempre alto, pedidos constantes de repetição, cansaço auditivo no fim do dia e queixas de zumbido.

    – Em qualquer idade: história familiar de perda auditiva, otites de repetição, rinite e respiração oral crônica são sinais adicionais de alerta.

    O que observar no dia a dia

    – Marcos de linguagem: evolução do balbucio para sílabas, palavras e frases deve ocorrer de forma contínua, mesmo em contextos bilíngues.

    – Ambientes ruidosos: dificuldade desproporcional para acompanhar conversas em festas, restaurantes e sala de aula sugere perda leve a moderada.

    – Saúde das vias aéreas: rinite, adenoide aumentada, ronco e otites frequentes pedem avaliação otorrinolaringológica.

    – Exposições e histórico: fones de ouvido, internação neonatal, icterícia acentuada, meningite e uso de medicamentos com potencial ototóxico indicam necessidade de seguimento mais próximo.

    Como é feito o diagnóstico

    – Na maternidade: o teste da orelhinha com emissões otoacústicas é obrigatório e detecta alterações ainda antes da alta, permitindo encaminhamento seguro.

    – Linha do tempo ideal: triagem até o primeiro mês, confirmação diagnóstica até o terceiro mês e início da intervenção até o sexto mês aproveitam a melhor janela de neuroplasticidade.

    – Testes objetivos e comportamentais: emissões, potencial evocado auditivo, timpanometria e audiometrias lúdicas ajudam a definir tipo e grau de perda com precisão.

    – Investigação da causa: estudo genético quando indicado, exames de imagem em casos selecionados e pesquisa para citomegalovírus nas primeiras semanas em situações suspeitas.

    – Trabalho em equipe: integração entre otorrinolaringologia pediátrica e fonoaudiologia traduz resultados de exames em um plano terapêutico personalizado.

    Tratamento e reabilitação

    – Otite com efusão: muitas vezes melhora com observação ativa, cuidado das alergias e higiene nasal; quando persiste com impacto auditivo, tubos de ventilação podem restabelecer a audição de condução, e adenoidectomia pode ser considerada em situações específicas. Em linguagem para os pais, entenda por que às vezes é preciso colocar o tubinho.

    – Perdas condutivas: remoção de cerúmen, tratamento de otites e dispositivos de condução óssea oferecem ganhos funcionais expressivos.

    – Perdas sensorioneurais: aparelhos auditivos modernos e sistemas de microfone remoto melhoram a compreensão de fala em casa e na escola; em perdas profundas bilaterais, o implante coclear após avaliação criteriosa abre oportunidades valiosas para a linguagem.

    – Citomegalovírus congênito: em cenários selecionados, antivirais iniciados precocemente podem reduzir a progressão da perda, sempre com acompanhamento especializado.

    – Fonoaudiologia e escola: terapia centrada na família, estímulos auditivo‑verbais e ajustes de sala de aula consolidam resultados e autonomia.

    – Seguimento contínuo: crianças com fatores de risco ou perdas flutuantes precisam de reavaliações periódicas, ajustes de dispositivos e estratégias de comunicação consistentes.

    Prevenção e hábitos saudáveis

    – Vacinação atualizada reduz infecções associadas à perda auditiva.

    – Controle de rinite e alergias diminui episódios de otite com efusão.

    – Uso responsável de fones, pausas auditivas regulares e volumes confortáveis protegem a cóclea; em shows e esportes motorizados, protetores auriculares são recomendados.

    – Ambientes com boa acústica em casa e na escola favorecem a compreensão de fala e o aprendizado.

    Quando buscar avaliação

    Atraso de fala, otites recorrentes, dificuldade em ambientes ruidosos ou falha em qualquer etapa da triagem são motivos para consultar um otorrinolaringologista e uma fonoaudióloga. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são os ganhos de linguagem, desempenho acadêmico e bem‑estar social.

    Cuidado de excelência em São Paulo e Alphaville

    O Dr. José Eduardo Marcondes oferece um atendimento completo e humanizado para a perda de audição em crianças. Com mais de duas décadas de experiência e atuação em endereços de referência, cada criança recebe um plano sob medida, com comunicação clara, acompanhamento próximo e metas terapêuticas alinhadas à rotina da família.

    Próximo passo

    Diante de qualquer suspeita, agendar uma avaliação especializada é a forma mais segura de proteger o desenvolvimento infantil. Uma consulta atenta, com exames adequados à idade, permite agir com precisão e confiança, para que a criança cresça ouvindo, falando e aprendendo com plenitude.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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  • Apneia do Sono em Crianças: O Que os Pais Devem Prestar Atenção!

    Apneia do Sono em Crianças: O Que os Pais Devem Prestar Atenção!

    Como identificar a apneia do sono em crianças: sinais que os pais não devem ignorar

    Vocês, pais, passam horas observando seus filhos dormir, percebendo cada detalhe do rostinho relaxado e da respiração. Mas já notaram algum comportamento estranho durante o sono? Roncos altos, pausas na respiração, sono agitado ou sonolência excessiva durante o dia podem ser sinais de apneia obstrutiva do sono, um problema mais comum do que imaginamos e que pode afetar seriamente o desenvolvimento das crianças. Para se ter uma ideia, a apneia atinge cerca de 1% a 5% das crianças e é mais frequente entre os 2 e os 8 anos, fase em que as amígdalas e adenoides costumam ser proporcionalmente maiores.

    O que é apneia do sono infantil?

    A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório que ocorre durante o sono, caracterizado por interrupções momentâneas na respiração. Durante essas pausas, que podem durar alguns segundos, a criança literalmente para de respirar devido ao bloqueio das vias aéreas superiores. Esses episódios acontecem repetidamente ao longo da noite, fragmentando o sono e impedindo que a criança tenha o descanso reparador necessário para seu desenvolvimento.

    Identificando mudanças no comportamento diário

    Muitas vezes, os primeiros sinais da apneia aparecem durante o dia, nas atividades cotidianas da criança. Como médico, sempre peço aos pais para observarem o comportamento escolar dos filhos. Crianças com apneia frequentemente apresentam dificuldade para se concentrar nas aulas, dispersando-se facilmente durante explicações ou na hora de fazer lição de casa.

    A memória também fica comprometida. Vocês podem notar que seu filho esquece recados simples, tem dificuldade para lembrar onde colocou os brinquedos ou precisa de várias repetições para decorar uma música ou poesia. O processamento de informações fica mais lento, fazendo com que a criança demore mais para entender comandos ou responder perguntas.

    Criança com sonolência diurna deitada bocejando
    Criança com sonolência diurna deitada bocejando

    No aspecto comportamental, fiquem atentos à irritabilidade excessiva, especialmente no final do dia. Crianças que antes eram tranquilas podem se tornar agressivas, ter crises de birra sem motivo aparente ou apresentar hiperatividade. Paradoxalmente, ao contrário dos adultos que ficam sonolentos, muitas crianças com apneia ficam agitadas e inquietas como forma de compensar o cansaço.

    O desempenho escolar costuma ser um dos primeiros aspectos a chamar atenção de pais e professores. Queda nas notas, dificuldade para acompanhar o ritmo da turma, problemas de leitura e escrita podem ser reflexos diretos da fragmentação do sono. Algumas crianças são até encaminhadas para avaliação de déficit de atenção, quando na verdade o problema está no sono inadequado.

    Como o sono fragmentado prejudica o desenvolvimento

    Quando o sono é constantemente interrompido pelos episódios de apneia, a criança não consegue atingir as fases mais profundas do sono, essenciais para o desenvolvimento. Durante essas fases, o cérebro consolida memórias, processa informações aprendidas durante o dia e libera hormônios fundamentais para o crescimento.

    A privação crônica de oxigênio, causada pelas pausas respiratórias, afeta diretamente o funcionamento do cérebro. As células cerebrais, especialmente nas áreas responsáveis pela atenção, memória e aprendizagem, sofrem com essa redução de oxigenação. Com o tempo, isso pode levar a alterações permanentes no desenvolvimento cognitivo se não for tratado adequadamente.

    Além disso, o corpo da criança fica em constante estado de estresse durante a noite, liberando hormônios como cortisol que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento emocional. É por isso que muitas crianças com apneia apresentam baixo ganho de peso e altura, além de alterações de humor.

    Sinais que devem despertar sua atenção

    Como médico com mais de 20 anos de experiência, sempre oriento os pais a observarem atentamente o comportamento dos filhos durante a noite e o dia.

    Durante o sono, fiquem atentos ao ronco frequente e alto, que pode ser tão intenso que os acorda à noite. Observem se há pausas na respiração seguidas por respiração ofegante ou sons de sufocamento. A criança pode dormir em posições estranhas, tentando facilitar a passagem do ar, apresentar sono extremamente agitado, mudando constantemente de posição, e transpiração excessiva durante a noite.

    Criança com apneia do sono dormindo de boca aberta
    Criança com apneia do sono dormindo de boca aberta

    Durante o dia, notem se a criança apresenta sonolência excessiva, cansaço constante mesmo após uma noite de sono, irritabilidade, agressividade ou hiperatividade, dificuldade de concentração na escola e queda no rendimento escolar. Muitas vezes, ao contrário dos adultos que ficam sonolentos, crianças com apneia podem ficar hiperativas e agitadas.

    Sintomas específicos da respiração e alimentação

    A respiração pela boca é um sinal importante que não deve ser ignorado. Quando a criança mantém a boca constantemente aberta, mesmo durante o dia, pode indicar obstrução nasal crônica. O mau hálito persistente e o ressecamento dos lábios e ao redor da boca também são consequências dessa respiração oral.

    Na alimentação, observem comportamentos específicos que indicam dificuldade respiratória. Crianças com apneia frequentemente comem de boca aberta, fazendo ruídos durante a mastigação. Elas podem mastigar muito devagar, parando constantemente para respirar pela boca, ou engolir grandes pedaços de comida para evitar mastigar por muito tempo.

    Algumas crianças preferem alimentos pastosos ou líquidos, evitando texturas que exigem mastigação prolongada. Durante as refeições, podem parecer ofegantes ou cansadas, especialmente ao consumir alimentos que demandam mais esforço mastigatório. É comum também reclamarem de dificuldade para engolir ou sensação de comida “parada” na garganta.

    Fiquem atentos também às queixas de ouvido tampado, zumbido ou dor de ouvido frequente. A apneia pode causar disfunção da tuba auditiva, levando a otites de repetição e comprometimento da audição.

    Por que é tão importante ficar atento?

    A apneia do sono não é apenas um problema de respiração durante a noite. Suas consequências podem ser devastadoras para o desenvolvimento infantil, e é por isso que sempre enfatizo a importância do diagnóstico precoce.

    Impacto no crescimento e desenvolvimento: Durante o sono profundo, o corpo libera hormônios fundamentais para o crescimento. Crianças com apneia podem apresentar baixo ganho de peso e altura, além de alterações no desenvolvimento facial e da arcada dentária.

    Prejuízos cognitivos e de aprendizagem: A fragmentação do sono e a diminuição dos níveis de oxigênio afetam diretamente o desenvolvimento do cérebro. Estudos mostram que crianças com apneia apresentam dificuldades de memória, atenção, concentração e processamento de informações. O desempenho escolar pode ficar comprometido, com notas mais baixas e dificuldades de aprendizagem.

    Alterações comportamentais e emocionais: A privação do sono de qualidade pode levar a problemas comportamentais significativos. Crianças podem apresentar hiperatividade, agressividade, déficit de atenção, irritabilidade e até sintomas semelhantes ao TDAH. Problemas emocionais como ansiedade e depressão também podem se desenvolver.

    Complicações cardiovasculares: Embora menos comuns em crianças, a apneia pode levar a hipertensão pulmonar e, em casos graves, problemas cardíacos. A privação crônica de oxigênio sobrecarrega o sistema cardiovascular.

    Fatores de risco importantes

    Algumas crianças têm maior predisposição para desenvolver apneia do sono. O aumento das amígdalas e adenoides é a causa mais comum na infância. A obesidade infantil também aumenta significativamente o risco. Crianças com alergias respiratórias, refluxo gastroesofágico, malformações craniofaciais ou síndromes genéticas também merecem atenção especial. Quando a causa é o aumento das amígdalas e adenoides, a cirurgia (adenoamigdalectomia) é o tratamento de primeira escolha e ajuda a maioria das crianças. Ainda assim, ela não é garantia de cura: parte das crianças, sobretudo as que têm obesidade ou já são mais velhas, pode manter algum grau de apneia depois da cirurgia. Por isso a reavaliação após o tratamento é tão importante.

    A importância do diagnóstico precoce

    Muitas vezes passa bastante tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto, e durante esse período a criança fica exposta às complicações que mencionei. Por isso, sempre digo aos pais: não ignorem os sinais.

    O diagnóstico envolve uma avaliação clínica detalhada, questionários específicos para rastrear distúrbios do sono e, quando necessário, a polissonografia, que é o exame padrão-ouro. Quanto mais cedo identificamos e tratamos a apneia, melhores são os resultados para o desenvolvimento da criança.

    Criança realizando polissonografia para diagnóstico de apneia do sono

    O que esperar do tratamento

    Um grande estudo internacional (o ensaio CHAT, publicado no New England Journal of Medicine em 2013) ajudou a entender o que esperar da cirurgia em crianças com apneia leve a moderada. Comparada à simples observação, a adenoamigdalectomia melhorou o comportamento, a qualidade de vida, os sintomas e a própria polissonografia.

    Como é o tratamento

    O tratamento é individualizado. Nos casos mais leves, medidas como o corticoide em spray nasal e, em situações selecionadas, o antileucotrieno (montelucaste) podem ajudar, ainda que a evidência seja de curto prazo. Quando há aumento importante das amígdalas e adenoides, a cirurgia é a primeira escolha. Se sobrar apneia depois da cirurgia, ou quando a cirurgia não está indicada, o CPAP (um aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar) é uma boa opção. E na criança com obesidade, o controle do peso faz parte do tratamento, porque a obesidade aumenta o risco de a apneia persistir.

    Quando procurar ajuda?

    Se vocês identificarem qualquer um desses sinais em seus filhos, especialmente roncos frequentes, pausas respiratórias observadas durante o sono ou alterações comportamentais significativas, não hesitem em procurar avaliação especializada. Como sempre digo aos pais em meu consultório: a qualidade do sono do seu filho é fundamental para seu futuro.

    Lembrem-se de que a apneia do sono infantil tem tratamento, e quanto mais precoce a intervenção, melhores serão os resultados para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança. Agendem uma consulta pelo nosso WhatsApp para avaliarmos juntos a melhor forma de garantir noites tranquilas e um desenvolvimento saudável para seu pequeno.

    Perguntas frequentes

    Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Roncar de vez em quando é comum. O sinal de alerta é o ronco frequente e alto acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou sono muito agitado. É essa combinação que merece avaliação.

    Meu filho precisa mesmo de polissonografia?

    A polissonografia é o exame padrão para confirmar a apneia e medir a gravidade. Nem toda criança precisa fazer logo de início: a avaliação começa pela história clínica e pelo exame do nariz e da garganta, e o especialista indica a polissonografia quando o resultado vai mudar a conduta.

    A cirurgia de amígdalas e adenoides cura a apneia?

    Na maioria das crianças com aumento dessas estruturas, a cirurgia melhora muito ou resolve o quadro. Mas não é garantia: crianças com obesidade ou mais velhas podem manter algum grau de apneia, por isso a reavaliação depois da cirurgia é importante.

    Meu filho é obeso. Isso muda alguma coisa?

    Sim. A obesidade aumenta o risco de apneia e a chance de ela continuar mesmo depois da cirurgia. Nesses casos, o controle do peso faz parte do tratamento e às vezes é preciso complementar com o CPAP.

    Apneia pode ser confundida com TDAH?

    Pode. A apneia causa desatenção, agitação e hiperatividade que lembram o TDAH, e não é raro a criança ser encaminhada como se tivesse o transtorno. Tratar a apneia costuma melhorar esses sintomas, mas as duas condições também podem coexistir. Por isso vale investigar o sono antes de fechar o diagnóstico.

    Referências

    1. Marcus CL, Moore RH, Rosen CL, et al.; Childhood Adenotonsillectomy Trial (CHAT). A randomized trial of adenotonsillectomy for childhood sleep apnea. New England Journal of Medicine. 2013;368(25):2366-2376.
    2. Marcus CL, Brooks LJ, Draper KA, et al.; American Academy of Pediatrics. Diagnosis and Management of Childhood Obstructive Sleep Apnea Syndrome. Pediatrics. 2012;130(3):576-584.
    3. Lumeng JC, Chervin RD. Epidemiology of pediatric obstructive sleep apnea. Proceedings of the American Thoracic Society. 2008;5(2):242-252.
    4. Bhattacharjee R, Kheirandish-Gozal L, Spruyt K, et al. Adenotonsillectomy outcomes in treatment of obstructive sleep apnea in children: a multicenter retrospective study. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. 2010;182(5):676-683.
    5. Kheirandish-Gozal L, Gozal D. Intranasal budesonide treatment for children with mild obstructive sleep apnea syndrome. Pediatrics. 2008;122(1):e149-e155.
    6. Goldbart AD, Greenberg-Dotan S, Tal A. Montelukast for children with obstructive sleep apnea. Pediatrics. 2012;130(3):e575-e580.

    Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

    Conheça a trajetória completa → · Agendar consulta no WhatsApp

  • Cirurgia da adenoide e amígdalas em crianças

    Cirurgia da adenoide e amígdalas em crianças

    O que os pais devem observar ? Quando a cirurgia é necessária?

    Quero conversar com os pais, sobre a adenoamigdalectomia em crianças. Sei que o assunto pode gerar muitas dúvidas e, por isso, vou explicar de forma simples e clara tudo o que é importante para que vocês entendam o que está acontecendo com seu filho, o que é necessário observar, quando é hora de considerar a cirurgia e como ela é feita.

    Primeiro de tudo : o que é a adenoide ?

    Essa é uma das dúvidas mais comuns dos pais. O que é a adenoide, chamada de carne esponjosa? A adenoide é uma espécie de amígdala que fica no fundo do nariz. É uma estrutura que todas as crianças tem, mas que pode gerar muitos problemas quando esta muito grande.

    Quais são os aspectos em que se deve prestar atenção?

    Um dos aspectos mais importantes é perceber se seu filho respira pela boca com frequência, mesmo quando não está resfriado. A respiração nasal obstruída faz com que a criança durma com a boca aberta e muitas vezes ronque.

    Fiquem atentos também ao humor do pequeno: cansaço excessivo, irritabilidade sem motivo aparente e falta de disposição podem estar ligados à má oxigenação durante o sono.

    Se vocês notam a voz mais “presa”, abafada ou anasalada, pode ser sinal de obstrução nasal. E vale registrar qualquer relato de pausas na respiração enquanto ele dorme.

    Outro aspecto são crianças que comem muito rápido ou demoram muito para engolir a comida.

    Sintomas e sinais que indicam hipertrofia de adenoide

    Quando a adenoide cresce demais, surgem alguns sinais que não passam despercebidos.

    A criança reclama de nariz entupido sem que haja gripe, apresenta mau hálito constante e ressecamento ao redor da boca.

    Muitas vezes ela reclama de “ouvido tampado” ou zumbido, pois o aumento da adenoide impede a drenagem correta do ouvido médio, favorecendo infecções. As otites recorrentes são comuns e podem comprometer a audição.

    No sono, além do ronco, é frequente o sono agitado, despertando várias vezes e resultando em sonolência ou dificuldade de concentração na escola.

    Quando a cirurgia é indicada ?

    Costumo indicar a adenoamigdalectomia quando o tratamento com sprays nasais, antibióticos ou acompanhamento clínico não resolve a obstrução e as infecções continuam se repetindo.

    Se seu filho ronca muito, tem apneia obstrutiva durante a noite ou já sofreu três ou mais otites em poucos meses, a cirurgia pode ser a solução.

    Além disso, a respiração oral prolongada pode prejudicar o desenvolvimento facial e dentário, por isso intervenções em tempo hábil ajudam a evitar alterações na arcada dentária e no alinhamento dos dentes.

    Técnicas cirúrgicas tradicionais da adenoide e amígdalas em crianças

    O método clássico de remoção da adenoide e amígdalas em crianças usa instrumentos para cortar e curetar o tecido. É um procedimento seguro, mas pode gerar um pouco mais de desconforto e sangramento.

    O eletrocautério, que utiliza calor para remover o tecido e estancar o sangramento, tornou-se popular por diminuir o sangramento intraoperatório. No entanto, ainda causa dor moderada nos primeiros dias após a cirurgia.

    Tecnologias avançadas: microdebridador e radiofrequência

    Para oferecer mais conforto e segurança às crianças, utilizo duas tecnologias de ponta.

    O microdebridador para adenoidectomia é usado para realizar a cirurgia com uso de video, permitindo remover apenas o tecido excessivo, preservar estruturas saudáveis e reduzir o sangramento.

    Na amigdalectomia, a radiofrequência faz a remoção do tecido com calor controlado, resultando em menor dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. O pós operatório é indescritivelmente mais tranquilo com o uso dessa tecnologia.

    Essas tecnologias permitem alta mais cedo, retorno às atividades escolares em pouco tempo e muito mais tranquilidade para toda a família.

    Caso o seu filho apresente essas características, agende uma consulta através do nosso whatsapp para entender melhor quais as melhores opções para melhora a vida dos seu pequeno.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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  • Cirurgia do ronco e da apneia do sono: o que é, como funciona e quando fazer

    Cirurgia do ronco e da apneia do sono: o que é, como funciona e quando fazer

    Um guia completo para você entender o ronco e a apneia do sono, se a cirurgia pode ajudar e como ela funciona.

    Começando: o que provoca o ronco? O que é apneia do sono? Como isso acontece?

    A apneia do sono é uma parada da respiração que acontece durante a noite. O ronco é um barulho produzido pela vibração das estruturas da via aérea durante a passagem do ar. Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Por que isso acontece?

    Vamos voltar um pouquinho para isso ficar mais claro. Vamos entender rapidamente como funciona a nossa respiração, que a partir daí fica muito fácil entender o que é o ronco e a apneia do sono.

    Quando nós inspiramos, para que o ar entre no nosso corpo, a musculatura do nosso pulmão, especialmente o diafragma, expande a caixa torácica, aumentando o volume (você pode ver o seu pulmão se expandindo ao inspirar). Esse movimento de expansão aumenta o volume da caixa torácica e por consequência diminui a pressão dentro do nosso pulmão. Essa pressão negativa se espalha por toda a via aérea (traqueia, laringe, faringe, cavidade oral e nariz), e o ar entra no pulmão por diferença de pressão. Preste atenção nesse conceito, pois ele será fundamental para entender o que acontece na sua garganta que faz você roncar quando dorme.

    Quando dormimos a nossa musculatura do corpo relaxa e consequentemente a musculatura da nossa faringe e da língua também estão mais flácidas. Quando puxamos o ar durante a noite, a pressão negativa criada pelo pulmão se transmite por toda a via aérea, e encontra a musculatura relaxada. Dependendo da intensidade do fluxo de ar e do relaxamento muscular, esse músculo vibra, e funciona como uma espécie de instrumento musical, produzindo um som, o famoso ronco. Então o ronco nada mais é do que o barulho produzido pela vibração da musculatura da via aérea. Agora, dependendo da intensidade da pressão negativa criada, a via aérea não vibra somente, ela se fecha, bloqueando a passagem de ar e provocando o que chamamos de apneia. Então veja como a apneia do sono e o ronco estão intimamente ligados. São espectros diferentes do mesmo processo.

    Se a apneia e o ronco são tão ligados, qual a diferença entre os dois?

    A principal diferença é o impacto na saúde que esses dois problemas geram. A apneia do sono restringe a passagem de ar, total ou parcialmente, e isso gera uma série de efeitos deletérios no nosso corpo, como alterações da pressão, do sistema endócrino, da imunidade, diabetes, aumento da chance de infartos e derrames, impotência, entre outras coisas. Vale registrar que tratar a apneia melhora comprovadamente os sintomas, o sono e a qualidade de vida (estudo SAVE, 2016). Se você quiser entender exatamente o que acontece, leia o artigo a seguir:

    Fisiologia da Apneia do Sono: O Que Acontece em Nosso Corpo

    Já o ronco isolado, chamado de ronco primário, para a maioria das pessoas, não parece ser um grande problema, tendo em vista que a grande complicação que ele causa é social. Você não consegue dormir com seu cônjuge, tem vergonha de viajar com amigos, não dorme de jeito nenhum em um avião.

    Mas a questão é mais profunda. Roncar não é o mesmo que ter apneia. O ronco é um sinal de alerta que merece avaliação, não um diagnóstico por si só. Por isso, quem ronca de forma habitual deve ser investigado, principalmente quando há sinais associados. Quando comparados com a população em geral, os roncadores têm de 1,5 a 3 vezes mais chance de apresentar apneia do sono, dependendo do critério diagnóstico e do perfil da amostra.

    A apneia do sono é mais comum do que parece. No estudo EPISONO, feito na cidade de São Paulo, cerca de um terço dos adultos (32,8%) apresentava apneia do sono em algum grau. A gravidade é medida pelo IAH, o índice de apneia e hipopneia, que é o número de pausas na respiração por hora de sono: até 5 é considerado normal, de 5 a 15 é leve, de 15 a 30 é moderada e acima de 30 é grave.

    Algumas características tornam essa investigação ainda mais importante. Veja quais são:

    • Frequência: se você ronca mais de 3 a 4 vezes na semana
    • Sintomas associados: dor de cabeça matinal, alterações de concentração e memória, sonolência diurna, irritabilidade, perda da libido
    • Presença de outras doenças: pressão alta, diabetes, doenças cardiovasculares, disfunção erétil
    • Outras alterações: baixa testosterona, obesidade, medicações para dormir

    A investigação para apneia do sono é feita através da polissonografia, sempre, e também através de alguns outros exames que podem ser importantes a depender do caso e da conduta a seguir, como tomografia de seios da face, tomografia do pescoço, nasofibrolaringoscopia, sonoendoscopia, entre outros.

    Qual o tratamento da apneia do sono?

    O tratamento da apneia do sono tem de ser avaliado caso a caso, mas o objetivo de cada um deles é sempre o mesmo: manter a via aérea aberta e garantir a passagem de ar por ela.

    Cada uma das formas de tratamento vai utilizar-se de mecanismos diferentes para isso e as principais opções que podem ser utilizadas, isoladamente ou de forma combinada, são:

    • CPAP: esse aparelho cria uma pressão positiva de ar, invertendo a mecânica da respiração, ou seja, ao invés do pulmão criar uma pressão negativa e “puxar” o ar, o CPAP cria uma pressão positiva externa e “empurra” o ar para dentro do corpo.
    Mulher com apneia do sono dormindo com CPAP
    Mulher com apneia do sono dormindo com CPAP
    • Aparelho Intraoral: esse aparelho vai tracionar a mandíbula anteriormente e estruturar a língua e a faringe, mantendo a via aérea pérvia.
    Aparelho intraoral abrindo a via aérea de pessoa com apneia do sono
    Aparelho intraoral abrindo a via aérea de pessoa com apneia do sono
    • Terapia Fonoaudiológica: através de exercícios específicos da língua, palato, faringe, pescoço e tórax é possível fortalecer os músculos e facilitar a manutenção de uma via aérea livre e que favoreça a passagem de ar.
    Fonoaudióloga avaliando o palato de um paciente com apneia do sono
    Fonoaudióloga avaliando o palato de um paciente com apneia do sono
    • Laser fotona: estimula a produção de colágeno e o enrijecimento dos tecidos da garganta para abrir as vias aéreas
    Laser fotona sendo utilizado para tratamento da apneia do sono
    Laser fotona sendo utilizado para tratamento da apneia do sono
    • Cirurgia: através da remoção e reposicionamento de diversas estruturas garante uma via aérea ampla e que suporta a pressão da respiração, mantendo a passagem de ar pela via aérea
    Cirurgia de apneia do sono feita com auxílio do robô DaVinci
    Cirurgia de apneia do sono feita com auxilio do robô DaVinci
    Cirurgia para apneia do sono com uso de sutura barbada
    Cirurgia para apneia do sono com uso de sutura barbada

    Cirurgia para apneia do sono: como é realizada? Quais são os resultados?

    Conceito fundamental: não é apenas uma cirurgia, são várias

    A cirurgia é uma alternativa importante para pacientes que não se adaptaram ao CPAP ou a outros tratamentos. O CPAP é o tratamento de primeira linha e muito eficaz quando bem tolerado, mas entre 30% e 50% das pessoas não se adaptam ou abandonam o aparelho ao longo do tempo, e é aí que a cirurgia ganha espaço. O que muitos não sabem é que esta não é uma única cirurgia, mas sim um conjunto de procedimentos realizados simultaneamente, cada um direcionado para um ponto específico da via aérea superior.

    O conceito dos múltiplos procedimentos

    O objetivo principal do tratamento cirúrgico da apneia do sono é manter a via aérea aberta durante o sono. Como os eventos obstrutivos podem ocorrer em diferentes níveis das vias aéreas superiores (nariz, palato, paredes laterais da faringe e base da língua), a abordagem cirúrgica mais eficaz envolve tratar múltiplas áreas simultaneamente. Esta estratégia combinada tem demonstrado resultados superiores quando comparada ao tratamento de um único sítio de obstrução.

    Nível nasal: desobstrução das vias aéreas superiores

    Septoplastia: correção do desvio de septo

    A correção do desvio de septo nasal é frequentemente o primeiro passo da cirurgia em vários níveis. O desvio de septo pode aumentar a resistência à passagem de ar pelo nariz e favorecer a respiração pela boca durante o sono, o que piora o ronco. Vale ser claro sobre o papel do nariz: a obstrução nasal costuma piorar o ronco e dificultar o uso do CPAP, mas a correção nasal isolada raramente cura a apneia. Ela melhora a respiração, o ronco e, muitas vezes, a tolerância ao CPAP, e por isso costuma ser o primeiro passo de uma cirurgia em vários níveis.

    Durante a septoplastia, realizamos uma pequena incisão por dentro do nariz, onde a mucosa é descolada da cartilagem e osso do septo. As partes desviadas são então removidas ou reposicionadas para centralizar o septo nasal. Este procedimento melhora significativamente o fluxo de ar nasal e reduz a tendência à respiração bucal durante o sono.

    Turbinoplastia: redução dos cornetos nasais

    A cirurgia dos cornetos nasais é frequentemente realizada em conjunto com a septoplastia. Os cornetos hipertrofiados podem causar obstrução nasal crônica, forçando o paciente a respirar pela boca durante o sono, o que desestabiliza as vias aéreas superiores. A turbinoplastia visa reduzir o volume dos cornetos inferiores, mantendo sua função fisiológica de filtrar e umidificar o ar.

    Etmoidectomia e sinusectomia maxilar

    Quando necessário, realizamos também a etmoidectomia e sinusectomia maxilar. A etmoidectomia envolve a remoção de tecidos inflamados, pólipos ou bloqueios nos seios etmoidais que impedem a ventilação adequada. Este procedimento, realizado por técnica endoscópica, garante precisão e minimiza o impacto cirúrgico. A sinusectomia maxilar complementa o tratamento quando há acometimento dos seios maxilares, garantindo uma drenagem adequada e reduzindo infecções recorrentes que podem contribuir para a obstrução nasal.

    Além disso, associar esse procedimento ajuda a criar uma segunda via de fluxo de ar que pode diminuir a resistência à passagem de ar, contribuindo para o sucesso da cirurgia como um todo.

    Nível palatino: ampliação do espaço retropalatino

    Sutura barbada para abertura do palato

    A faringoplastia com sutura barbada representa uma técnica moderna e minimamente invasiva para o tratamento do palato mole. Esta técnica utiliza suturas especiais com pequenos ganchos bidirecionais que reforçam e estabilizam os tecidos da garganta, melhorando a tensão das vias aéreas superiores.

    Cada farpa da sutura representa um nó ancorado no tecido, proporcionando maior estabilidade da via aérea com tempo cirúrgico menor e melhor cicatrização. Esta abordagem é particularmente eficaz para pacientes com ronco causado pelo relaxamento excessivo dos tecidos palatinos, proporcionando recuperação mais rápida e bons resultados.

    Nível das paredes laterais: expansão funcional com robô DaVinci

    Faringoplastia de expansão funcional com robô DaVinci

    Uma evolução desta técnica é a Faringoplastia de Expansão Funcional (FEP) realizada com o sistema robótico Da Vinci. Este procedimento combina os princípios da faringoplastia expansora tradicional com a precisão e as vantagens da cirurgia robótica transoral.

    A técnica robótica de expansão funcional utiliza a visualização 3D magnificada e instrumentos articulados com movimentos de 360 graus para reposicionar o músculo palatofaríngeo. Durante o procedimento, o músculo palatofaríngeo é isolado da mucosa e do músculo constritor superior da faringe, sendo então transectado inferiormente para formar um retalho muscular com pedículo superior e medial.

    A extremidade livre do músculo palatofaríngeo é então rotacionada superiormente e fixada na transição entre o palato mole e duro, criando tensão na parede lateral da faringe. O robô permite realizar essa fixação com precisão milimétrica, garantindo o posicionamento ideal do músculo e reduzindo o risco de complicações.

    Esta abordagem robótica da expansão funcional oferece vantagens sobre a técnica tradicional. A visualização tridimensional permite identificação precisa das estruturas anatômicas, enquanto os instrumentos articulados possibilitam sutura em ângulos que seriam impossíveis com técnicas convencionais. O resultado é uma ampliação mais consistente do espaço faríngeo, com bons resultados em pacientes adequadamente selecionados.

    Nível da base da língua: cirurgia robótica

    Amigdalectomia lingual robótica

    A cirurgia robótica transoral (TORS) utilizando o sistema DaVinci representa a evolução mais avançada no tratamento da obstrução da base da língua.

    A amigdalectomia lingual robótica visa a remoção do tecido hipertrofiado na base da língua, incluindo as tonsilas linguais. O procedimento pode remover até 20 gramas de tecido, conforme necessário, baseado na anatomia do paciente e no grau de colapso durante o sono.

    Glossectomia parcial

    A glossectomia parcial da linha média complementa o tratamento robótico quando há macroglossia significativa. Este procedimento envolve a remoção física de uma porção da língua na área central, entre os principais vasos sanguíneos e nervos. A técnica é guiada por métodos de imagem avançados para garantir máxima segurança e preservação das funções essenciais da língua.

    Vantagens da abordagem combinada

    A realização simultânea destes múltiplos procedimentos oferece várias vantagens. Primeiramente, permite tratar todos os níveis de obstrução em um único tempo cirúrgico, reduzindo a necessidade de cirurgias subsequentes. Além disso, a abordagem em vários níveis costuma alcançar taxas de sucesso maiores do que tratar um único ponto.

    A cirurgia robótica oferece benefícios específicos, incluindo menor sangramento intraoperatório, recuperação mais rápida e preservação funcional com menor risco de alterações na deglutição e na fala. A visualização 3D de alta definição e a precisão dos instrumentos articulados ajudam a prevenir sangramentos e possibilitam a remoção do tecido em excesso.

    Recuperação e resultados

    A recuperação varia conforme a extensão dos procedimentos realizados.

    A cirurgia em vários níveis melhora a apneia na maioria dos casos bem selecionados. Em meta-análises, a taxa de sucesso (redução do IAH de pelo menos metade, com IAH final abaixo de 20) fica em torno de 60% a 66%, com redução média de cerca de 25 eventos por hora. A faringoplastia com sutura barbada e a cirurgia robótica da base da língua reduzem o IAH em torno de 24 eventos por hora nas séries publicadas. Vale ser transparente: os resultados dependem muito da seleção do paciente e do local da obstrução, e a cirurgia costuma melhorar bastante os sintomas e a qualidade de vida, sem necessariamente zerar a apneia.

    A cirurgia combinada para tratamento da apneia do sono representa, portanto, uma solução abrangente, que trata simultaneamente os pontos de obstrução da via aérea superior. Esta abordagem em vários níveis oferece aos pacientes uma alternativa eficaz ao CPAP, com resultados duradouros e melhora significativa da qualidade de vida.

    Perguntas frequentes

    Todo mundo que ronca tem apneia do sono?

    Não. O ronco é um sinal de alerta que merece avaliação, principalmente se for frequente ou vier acompanhado de sonolência, dor de cabeça pela manhã ou pressão alta. A chance de apneia é de 1,5 a 3 vezes maior em quem ronca do que na população geral, mas roncar não é, por si só, um diagnóstico de apneia.

    Como se mede a gravidade da apneia?

    Pelo IAH (índice de apneia e hipopneia), que conta as pausas na respiração por hora de sono, medido na polissonografia (o exame do sono): até 5 é normal, de 5 a 15 é leve, de 15 a 30 é moderada e acima de 30 é grave.

    A cirurgia cura a apneia do sono?

    Na maioria dos casos bem selecionados, a cirurgia melhora muito a apneia e a qualidade de vida, mas nem sempre zera o problema. O sucesso depende do local da obstrução e das características de cada paciente, por isso a avaliação detalhada antes da cirurgia é tão importante.

    Preciso fazer todas essas cirurgias?

    Não. A apneia pode obstruir em pontos diferentes (nariz, palato, paredes da faringe, base da língua), e a cirurgia é individualizada: trata-se apenas o que precisa, muitas vezes em um único tempo cirúrgico.

    A cirurgia substitui o CPAP?

    O CPAP é o tratamento de primeira linha e muito eficaz quando bem tolerado. A cirurgia é a principal alternativa para quem não se adapta ou abandona o aparelho, e às vezes é usada de forma combinada com outras medidas.

    Referências

    1. Senaratna CV, et al. Prevalence of obstructive sleep apnea in the general population: a systematic review. Sleep Medicine Reviews. 2017;34:70-81.
    2. Wali SO, Abalkhail B, Krayem A. Prevalence and risk factors of obstructive sleep apnea syndrome in a Saudi Arabian population. Annals of Thoracic Medicine. 2017;12(2):88-94.
    3. Tufik S, et al. Obstructive Sleep Apnea Syndrome in the São Paulo Epidemiologic Sleep Study (EPISONO). Sleep Medicine. 2010.
    4. McEvoy RD, et al. CPAP for Prevention of Cardiovascular Events in Obstructive Sleep Apnea (estudo SAVE). New England Journal of Medicine. 2016.

    Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

    Sobre o autor

    Dr. José Eduardo Marcondes

    Médico Otorrinolaringologista · CRM-SP 107.711 · RQE 43.840

    Formado e residente pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com mais de duas décadas de experiência. Pioneiro no uso da cirurgia robótica (TORS) para apneia do sono. Membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, Vila Nova Star e São Luiz. Membro da ABORL-CCF.

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